01/11/2011

O post que nunca escrevi

Quando se tem um blog, pode ser difícil encontrar a linha tênue entre a exposição e a privacidade.  Inevitavelmente, acabamos compartilhando muito sobre nossa vida, nossos relacionamentos, nossa intimidade.  E claro, isto deixa tudo mais gostoso, pois a gente sente como se conhecesse o escritor, como uma amiga que confidencia as preocupações do casamento, os infortúnios  com fornecedores, as brigas por conta da lista de convidados, a surpresa que noivo preparou, a expectativa com a lua de mel. São emoções compartilhadas, mutuamente vividas por quem a cada dia, entre um clique e outro, passa no seu blog para te visitar. Aos poucos, nossa identidade se revela, e para leitores mais assíduos, você realmente fica exposta.

Eu nunca escrevi um post completo sobre o meu casamento. Não sei ao certo o porque, mas sei que não foi apenas pelo receio da exposição demasiada. Talvez pela falta de tempo, a vida nova de casada onde tudo ainda precisava se encaixar. Mas hoje, inspirada por um texto da Junia, eu resolvi contar como foi o meu casamento. Todas as lembranças daquele dia estão nítidas e hoje quero compartilhá-las. O texto não segue uma ordem cronológica dos acontecimentos, mas relata, aos poucos, como tudo aconteceu.
Primeiro, uma confissão: eu não fui noiva. Não tivemos festa de noivado, anel na mão direita ou qualquer outra formalidade. Alianças mesmo compramos poucos meses antes do casamento com a Lígia da Relojoaria Nacional. 
Percebi que iria me casar depois que ele me propôs comprar uma casa. Tínhamos acabado de reatar nosso namoro de quase oito anos, após meses separados, e eu fiquei surpresa, e com medo da situação. Ao assinar toda a papelada da compra da casa foi quando senti borboletas no estômago, o peso da responsabilidade sobre as minhas costas, o sentimento real de algo muito grande estava para acontecer, e que não tinha mais volta.
Eu decidi me casar contrariando a opinião de muitas pessoas. Você é nova, ele também, ele ainda esta estagiando, você no inicio de carreira, não seria melhor esperar mais alguns anos? Por que a pressa, você não esta grávida, esta?
Mas eu não estava tomando esta decisão com base na pura razão, ela foi tomada com o coração. Não fui incentivada por um sentimento explosivo, paixão avassaladora de livros e novelas. Nosso amor  já era sólido, consistente, real. Já havia sofrido com a separação que confirmava que eu não podia mais viver longe dele, e acho que ele também se sentia assim. Com aprovação ou não, senti que era a hora certa.
No inicio, fizemos as contas, e eu tinha certeza absoluta que eu teria que vender meu carro para pagar a festa do casamento. Queríamos uma casa, e também queríamos festa de casamento. Não dá para se ter tudo, mas eu não conseguia me imaginar sem um casamento na igreja, com a família e amigos, e ainda sonhava com todos reunidos numa festa. E eu ainda queria uma coisa a mais: me casar completamente sem dívidas. Tenho pavor a cartão de crédito, cheques ou a qualquer modalidade de parcelamento, e me orgulho muito em dizer que isto eu consegui. Não tive tudo o que eu queria, mas esta meta, conseguimos alcançar.
Comecei os preparativos logo depois de entregar meu trabalho na faculdade, decidi que não misturaria as coisas pois precisava de foco para me formar, encerrar este ciclo para então,  iniciar outro. E assim, comecei a organização do meu casamento faltando 11 meses para a data pretendida, e foi então que descobri que este tempo era muito pouco para tantas tarefas e para muitos gastos. Fui muito organizada, criei planilhas de controle, checklist e mapa do salão para organização de tudo, e isto fez com o tempo todo eu tivesse total controle dos gastos.
O primeiro item que fechei foi a banda. Conversei com um amigo e contei que iria me casar, e que gostaria muito que ele tocasse na minha festa, eu imaginava algo como voz e violão apenas, mas o Leandro reservava muito mais para mim. Em seguida fechamos o Buffet. Eu que tinha acabado de ir em uma festa onde experimentei um Buffet bom e barato, não tive duvidas e fechei um cardápio simples da Vida Buffet. Na época, fechei o contrato pagando apenas  19,90 por pessoa, hoje, nem pizza você consegue comprar por este valor, e a minha decisão rápida foi incentivada pela mudança da tabela de preços (jogada de fornecedor ou não, me convenceu) e pelo argumento dele de que se eu quisesse acrescentar algo ao longo dos meses, ele só cobraria a diferença.
Eu poderia ter pesquisado muito mais, ido a inúmeras degustações, mas confesso que eu não tinha tempo e muita paciência para isso. O tempo era curto e o dinheiro, contado aos centavos, e como estava segura com a decisão, principalmente por saber que o decorador seria o Aldo Silvestre, encerrei este assunto e não fiquei procurando outras opções que pudessem me fazer querer mudar de ideia.
No inicio do ano, comprei uma agenda para anotar todos os compromissos e planejamento do casamento. Guardo-a com carinho até hoje, e tenho todos os contatos anotados, que já serviram como indicação para inúmeras pessoas.  Foi com o auxílio dela que consegui organizar minhas idéias, as tarefas do casamento, agendar dentista, check up total, exames pré-nupciais e qualquer outro compromisso daquele ano. E na verdade, revendo as minhas anotações (estou com ela agora enquanto escrevo este texto), percebi que em alguns dias, ela também foi um diário, onde eu descrevia meus sentimentos, preocupações e expectativa enquanto estava sentada em alguma sala de espera.
Iniciado o ano, também liguei para a fotógrafa Rafaela Azevedo, cujo trabalho eu acompanhava desde o comecinho e para minha tristeza, ela já tinha a sua agenda para o fim do ano lotada, e eu nem fazia ideia de que o mercado de casamento pudesse ser assim. E então fiz orçamento com alguns fotógrafos como Fernando Buzetti, Fernando Coutinho, e por indicação, preço e qualidade, eu fechei fotografia e vídeo como Studio 3. Fui muito bem atendida pelo Sidney e sua equipe, mas se tem uma coisa que eu me arrependo até o ultimo fio de cabelo, foi de ter fechado a gravação do vídeo junto com a fotografia. Quanto ao vídeo, não foi o que eu esperava, a gravação ficou cheia de ruídos, o som de má qualidade e com aquela produção antiga, onde a abertura do vídeo começa com “From this moment”. Eu quase tive um treco quando vi o resultado, e para piorar, a divisão de vídeo da Studio 3 se separou e tornou-se uma outra empresa, onde eu não conhecia ninguém, onde eu não me sentia a vontade para argumentar, enfim, não era o que eu esperava. Como consequência, perdi totalmente a vontade de revisar e de editar o vídeo, e até hoje ele não esta finalizado. Temos  as gravações originais, mas nada que tenhamos orgulho de mostrar.
Nesta altura, a casa, que ainda estava na planta, estava começando a ser erguida, mas já estávamos gastando com documentações da Caixa Econômica, parcelas da casa e materiais. Eu sinceramente não faço ideia de onde tirarmos tanto dinheiro, pois comprar uma casa, móveis e ainda casar requeria muito mais do que as nossas pequenas economias podiam suportar. Acho que esta foi uma das partes mais estressantes da organização do casamento, porque mesmo sendo entregue praticamente pronta, a casa precisava de acabamentos, pintura, piso, madeiras, e isto consome um dinheiro absurdo. Além disto, tinha medo da casa não ficar pronta antes do casamento, e eu ainda pretendia fazer o dia da noiva dentro da nova casa, com a pretensão de ter o nosso lar como cenário do meu dia de noiva. Mas cada mês que se passava eu ficava mais nervosa ao perceber que isto não seria possível, apesar do noivo (vamos chama-lo assim) prometer que sim. A casa (e a lista de convidados) foram os preparativos que mais me fizeram chorar.
Bem, eu já tinha músicos, buffet e fotografia, precisava de um lugar. Comecei a pesquisar as casas de eventos da região assim como as igrejas. Os dois lugares precisariam ser próximos para facilitar a vida dos convidados, visitei inúmeros lugares até que me encantei com uma igrejinha na comunidade onde meu noivo morava. A igreja São José era pequena, simples, porém bonita, o lugar perfeito para mim, que tinha pavor de me casar em uma igreja enorme. A decoração foi simples, com rosas e gérberas brancas e cor de rosa, e com eras enfeitando entre um banco e outro. Contratei uma florista da cidade, de bairro mesmo sabe, e isto me garantiu preço de custo praticamente. Ela também fez o meu buquê e o das damas, que ficaram lindos.
Aliás, eu mesma fui atrás para criar os vestidos das damas, que eram apenas duas, minha irmã mais nova e sua amiga. Ela não gostou muito da ideia quando fiz o convite, mas quando mostrei o que eu estava pensando, ela se animou e resolveu participar. As duas entrariam antes de mim como floristas, cada uma com um buquê pequeno e vestido iguais verde-claro. Conseguimos fazer um vestido de cetim lindo, que elas adoraram. E eu fiquei super feliz em vê-las no altar.
Os músicos, eu fechei um mês antes do casamento, quando percebi que tinha me esquecido deste item. Por indicação, fui em um bairro de Campinas que eu nunca estivera antes, encontrar a Adriana, para uma audição. Ela tocou diversas musicas e confesso que quando ela estava na quarta, eu já não me lembrava da primeira. Mas ela foi muito atenciosa, percebeu que eu não conhecia nada, e me passou o nome de todas as musicas para eu pesquisar na internet e escolher as preferidas e informá-la sobre a sequência que eu desejava. Pela atenção e disponibilidade dela, fechei ali mesmo, na hora. E ela ainda me surpreendeu atendendo o único pedido do noivo, que queria entrar na igreja ao som de Metallica (eu nem sabia se era possível) e no dia ela me disse que não tinha a música em seu repertório. Pois na semana do casamento, ela me liga para dizer que conseguiu produzir uma versão e então, ela seria tocada na entrada do noivo, como ele queria. Eu devia ter contado a ele, pois depois ele me disse que a adrenalina era tanta que ele nem percebeu que musica estava tocando, só foi notar que era algo parecido no final, quando ele já tinha chegado ao altar. (Se fizer algo especial, contem meninas, na hora a emoção é tanta que ninguém percebe se você não comentar).
Escolhida a igreja percebi que a melhor alternativa seria solicitar a empresa que eu trabalhava, a licença para utilizar um dos seus salões (na verdade quiosque) para a festa do casamento.  No inicio, isto não era uma opção, pois eu não queria misturar as coisas, mas depois que vi os preços de aluguel de um salão (valor mínimo de 5 mil a locação), esta era a nossa melhor opção, já que para funcionários, o empréstimo era de graça. E por conta da disponibilidade do espaço, nosso casamento que seria em Outubro, foi marcado para Novembro. Mas tirando este detalhe que não nos atrapalhou, foi sem duvida, uma das melhores decisões que tomamos. O lugar era lindo, bem estruturado, com palco, mesas e cadeiras disponíveis para nosso uso, grama bem cuidada, área de estacionamento imensa e com segurança, playground, ou seja, ótimo.
Como as mesas eram tampões de madeira, mas as cadeiras de plástico, alugamos cadeiras de ferro brancas, alugamos ainda duas tendas para aumentar o espaço e nos proteger da temida chuva de verão. No fim não caiu uma gota, mas aposto que se não tivéssemos nos preparado, choveria.  Também verificamos instalações elétricas para garantir que suportaria os diversos aparelhos ligados, dedetização, e levamos todos os fornecedores para conhecer o espaço, e garantir que seria possível realizar tudo, sem surpresas.
Aproveitei que estávamos em um ambiente gramado, e que nosso casamento seria de dia, para escolher uma decoração rústica, campestre. Eu adoro natureza, e acho que não poderia ser diferente. Mesa do bolo de madeira, mini margaridas e muito verde, assim foi a base da decoração. Detalhes como tochas com citrolena, arco de flores e estante com os bem-casados na entrada vieram depois, e foi maravilhoso perceber que o que eu imaginei, o Aldo e sua equipe fizeram mais, e melhor. Entramos no salão-quiosque debaixo de uma imensa chuva de arroz organizada pelos padrinhos, ao som animado da banda que escolheu tocar Pretty Woman (isso mesmo, deixamos nosso amigo Leandro escolher), e só me lembro de não acreditar em como tudo estava lindo, perfeito.
Em cada mesa deixamos nossos Post-its personalizados, que foram as lembrancinhas, e ainda, para os padrinhos, eu fiz um kit de sabonetes da Natura envolvidos em um tule com laço de fita de cetim verde-claro, que indevidamente, foram parar nos banheiros, e eu só ouvi alguém dizer: Nossa, como eles são chiques, tem sabonetes da Natura como brinde nos banheiros... Não, não era brindes, eram singelos presentes para todos os padrinhos! Mas fazer o que, eu não podia (e não devia) me estressar com isto, no meio da festa. Deixei para lá e fui dançar...
Aliás, por este e outros pequenos detalhes que eu recomendo que contratem uma assessoria de casamento. Sei que muitas vezes temos sensação de poder organizar tudo, afinal, são tantos blogs, sites e dicas que certamente, o serviço de assessoria pode ser dispensado para quem precisa contar moedinhas. Ledo engano. Eu não contratei e não recomendo que façam isso, pois no decorrer do casamento, podem ocorrer acontecimentos que poderiam ser evitados, ou ainda, resolvidos por alguém que sabe exatamente o que fazer em cada situação. Na igreja, eu fiquei do lado errado no altar, e não teve uma santa criatura para me dizer isto. Também tive que cuidar da lista de presença, da confirmação dos convidados, e foi só dor de cabeça.
Convites, topos de bolo de biscuit e tags eu fechei com a Lobato Convites que me atendeu plenamente pela qualidade e preço justo. Bem-casados e docinhos eu fechei com a mãe de uma colega de trabalho, a Fátima Ramos, pagando preço ótimo também.
Dentre tantas coisas que planejei, uma delas foi realmente feita por mim: o meu vestido de noiva. Nossa família é uma família de bordadeiras, e eu já estava cansada de ver tantos vestidos de noiva. Acreditem, depois de anos trabalhando com eles, você perde o encantamento. Então, eu já sabia o que gostava e o que não gostava, já tinha provado muitos modelos para minha mãe, e depois de ver uma referencia em uma revista, tive a inspiração que faltava e fechamos a produção do vestido como primeira locação com a dona Alzira da EdClair Noivas em Valinhos. E ele veio para nossas mãos para ser bordado, com os desenhos que eu e minha mãe criamos.  Escolhemos as pedrarias, iniciamos o trabalho, mas tenho que confessar que tem fez praticamente tudo foi a minha mãe, quase não tive tempo de bordá-lo. Mas era incrível ter o meu vestido em casa, acompanhar a sua produção, vê-lo nascer das mãos da minha mãe.
Sapato e acessórios foram escolhidos a dedo, muito próximo ao casamento. Me casei com um lindo par de brincos com pérolas e uma pulseira discreta. No cabelo, flores que eu mandei fazer, numa época em que ninguém as usava, logo, eu não encontrava de jeito nenhum. Uma costureira topou fazer para mim, e não saiu como eu imaginava, mas era isso, ou arranjos de metais, e eu não queria algo assim, queria flores de tecido.
 Já a maquiagem, foi um dos dramas do casamento. E tudo começou quando ao visitar diversos salões de Campinas e região, percebi que o tão esperado Dia da Noiva tinha se tornado uma linha de produção. Noivas em filas para ser atendidas em uma sequencia de linha produtiva: banho, cabelo, maquiagem, vestir-se, fim.
Não gostei nada daquilo, não gostei do barulho, de várias pessoas circulando, madrinhas, noivas, crianças, entre e sai de pessoas, horários cronometrados, preços altos, ou seja, decididamente, não era assim que eu queria me preparar. Então, eu resolvi me arrumar na minha casa nova, junto com mais duas ou três pessoas que me fariam companhia.  Então, na quarta-feira da semana do casamento, a pessoa que iria me arrumar me liga chorando, dizendo que algo tinha acontecido. Percebendo a gravidade do assunto, fui até a casa dela, e quando cheguei, percebi que ela não estava muito bem, e ela me disse que teria que ser operada no dia seguinte de um problema no útero. Ela chorava e tentava me explicar que já havia pedido para uma amiga substituí-la, mas naquele momento, vendo a situação, eu só conseguia dizer que tudo ia ficar bem, que eu daria um jeito. Nos despedimos e quando entrei no carro, desabei. Chorei, chorei de desespero. Onde eu iria arrumar alguém para produzir uma noiva a dois dias do casamento?  Foi ai que entraram as amigas (obrigada Mari). Liguei para várias delas, contando a situação e prontamente, cada uma contou minha história para a sua cabeleireira, e na quinta, eu já tinha duas ou três opções. Escolhi uma profissional de Valinhos chamada Silvana Peró, e novamente, fiz a escolha certa, desta vez, por sorte. Eu não a conhecia, ela não sabia o que eu tinha planejado, ela precisava de minha resposta imediata para desmarcar todos os compromissos do sábado para me atender, e eu, precisava de alguém que pudesse me atender, e assim, eu fechei meu dia da noiva, que de especial teve o fato de eu ter alguém para me arrumar. Quando a coisa aperta mesmo, você fica satisfeita com pouca coisa, e só da pessoa cancelar tudo o que tinha programado para me atender, já me deixou satisfeita. Feliz mesmo foi quando me olhei no espelho e vi que ela tinha feito uma maquiagem linda, que meu cabelo estava do jeitinho que eu queria, e eu só tinha a agradecer por isso.
Um casal de amigos foi me buscar em Valinhos e me trazer para a igreja. Eu fiquei pronta antes do horário e fiquei sentadinha esperando eles chegarem, e neste momento, eu fiquei só. Por poucos minutos, mas completamente sozinha. Nesta hora senti falta da família, das amigas...queria alguém para dizer: Vai dar tudo certo. Ali, sentada a espera dos meus amigos, foi quando as minhas mãos começaram a suar e eu sentia meu coração bater acelerado. Comecei a sentir um medo de tudo: de me atrasar, de chover, do noivo não estar no altar (hein?), a cabeça girava a mil e então, alguém me tirou daquela onda de pensamentos assustadores dizendo: - Seu carro chegou!
Minha amiga querida (obrigada Li) já tinha deixado o ar condicionado ligado e entrei em um ambiente geladinho, indispensável para uma noiva que se casa as 17h00 quando na verdade é 16h00 devido ao horário de verão. Ao passar pelas ruas, via crianças na rua acenando e gritando: - Olha a noiva! Que linda! Achei engraçado e acenava de volta.
Na rodovia (é pessoal, Valinhos fica longe de onde me casei) a mesma coisa. Pessoas distraídas olhavam para o lado e viam uma noiva, e logo começavam a acenar. Realmente, noiva tem o poder de encantar as pessoas.
Cheguei pontualmente na porta da igreja, e me pediram calma pois havia um detalhe. Pensei: - O noivo não chegou! Não, na verdade, o Padre não havia chegado. De fato, ele nem sabia do casamento! Como pode isto gente? Mas aconteceu...Sorte a minha pois foram buscar um Padre que eu estimava muito, alegre, carinhoso, jovem, e que mesmo de improviso, realizou a nossa cerimônia de um modo muito especial, com muito amor. Lembro de algumas palavras dele até hoje com muito carinho.
Entrei na igreja de braços dados com meu pai e minha mãe. Achava que não podia ser diferente. E foi maravilhoso entrar com eles, e ver minhas irmãs, amigos, e o noivo no altar. Nos casamos, e saímos de lá felizes por sairmos juntos, com a benção que queríamos, prontos para festejar. Antes, passamos aqui na nossa casinha nova para tirar algumas fotos. Nosso ensaio seria dentro da nossa casa vazia, para registrar o começo de tudo. Mas o marido (aqui já foi promovido a marido) esqueceu as chaves e ficamos só na frente de casa mesmo tirando algumas fotografias enquanto as pessoas se dirigiam para a festa, que foi inesquecível.
Quando dei por mim, já estávamos no final da festa, com convidados indo embora, se despedindo e agradecendo por tudo, e eu insistindo para ficarem mais, pois na verdade, não queria que aquela noite acabasse. Casar é maravilhoso, mas, por que acaba tão rápido?
Ao final de tudo, fomos direto para nossa casa nova, e chegando aqui, eu morrendo de sede, fui até a cozinha pegar um copo com água e pergunto: - Por que a nossa cozinha esta alagada? O marido vem correndo e percebe que um cano da pia não suportou a pressão da caixa d’agua e se rompeu inundando a cozinha. Vestida de noiva, eu sentei no chão (ainda não tínhamos cadeira) e fiquei esperando o marido consertar e secar tudo. E estávamos tão felizes que eu nem vi o tempo passar, ficamos horas conversando sobre o casamento, a festa, os convidados, quem foi e quem não foi, os acontecimentos, micos e surpresas da noite.  Não tivemos lua de mel oficial, compramos armários ao invés disto. Eu deveria ter me apertado mais, pois senti falta de ir para algum lugar diferente depois de tanta correria.  Mas de ultima hora, e com incentivo da tradicional ‘gravata’ decidimos ir para a praia. Chegamos lá e estava chovendo, não havia onde ficar, mas tudo bem, a gente estava feliz. Meses depois fomos para a Bahia.
E hoje, faz três anos que me casei, e na verdade, acho que me caso com o Ed todos os dias. Nosso casamento é amor mas também é amizade, superação, compromisso, é dedicação e paciência também. Nosso casamento existe porque, apesar de não ser fácil, tudo fica melhor quando estamos juntos.
Hoje, depois de ver e de participar de muitos casamentos, percebo que o meu foi relativamente simples, modesto. Nunca seria escolhido como o ‘Casamento do Ano’ ou seria popular a ponto de ser mostrado nos mais famosos sites e blogs de casamento.
Mas foi o melhor e mais lindo casamento que já presenciei, porque ele foi real, porque ele foi o MEU.
Todo casamento tem sua história, e esta foi a minha. Espero que ela possa te inspirar a viver, incondicionalmente, a sua ♥

14 Comentários:

Rebeca 01 novembro, 2011 19:24  

Linda a história, Vanessa! Você contou lados felizes e tristes do "caminho até o altar", diferente do que vemos por aí. São esses detalhes que enriquecem ainda mais a história do casal. Continuem sendo muito felizes! Bjos.

Glaucia 01 novembro, 2011 19:40  

Lindo!
Amei seu relato!
Temos que ter em mente que quando é feito com amor, no fim dá tudo certo, mesmo com algumas pedras no caminho...
bjos
senhoritanoiva.blogspot.com

Ju Louseiro 01 novembro, 2011 20:50  

ADOREI Nessa! E como assim 19,90 por pessoa? Quase morro querendo voltar no tempo e casar naquela epoca, rsrs.

Um beijo =)
www.fuxicodenoiva.com.br
http://casamentodossonhos-juefe.blogspot.com

BRUNA SOARES 01 novembro, 2011 23:03  

que lindoooooooooooooo...
nossa, tirando a separação eu tb me dei conta de que ia casar depois que compramos nosso apê! rsrsrsrs
bjosssssssssss

Zoe 02 novembro, 2011 16:38  

Van, que linda sua historia! Consegui ver o seu dia perfeitamente, sentir o que vc sentir somente atraves de suas palavras!! Fiquei emocionada!! Parabens pelo belissimo casamento! beijos e até breve!

Glaucia 02 novembro, 2011 22:05  

Vanessa, moro em Ipatinga ha 8 anos!
Uai, depois me escreve falando dos seus parentes aqui. Cidade do interior (apesar dessa não ser muito pequena) a gente acaba conhecendo todo mundo!
bjos!

Patrícia 02 novembro, 2011 23:44  

Ah que lindo o post...
é complicado mesmo separar a identidade pessoal com a profissional, com a do blog... mas tambem existe a necessidade de saber um pouco mais daqueles que escrevem conselhos e experiencias. acompanhamos quase que diariamente e nos identificamos muuito quando vc escreveu sobre o sentimento de se assinar a papelada para a casa nova. no inicio deste anocompramos nosso ape, na planta e, a cada dia todas as insegurancas que vc registrou, eu começo a sentir, todas as duvidas... mas tambem todas as certezas: de que é isso mesmo que queremos e que vamos conseguir...
Espero que daqui a uns dois anos possamos voltar aqui e relatar essa caminhada com outras perspectivas e outras emocoes!
Um beijo e muuuito sucesso, adoro o blog e as sugestoes que aqui aparecem :)

Carol Espindola,  03 novembro, 2011 10:35  

Me emocionei muito lendo a sua história!
Realmente as vezes tudo não acontece como queríamos, o dinheiro não dá pra tudo, mas com certeza é um dia muiiito especial na nossa vida, que vale a ena cada centavo, cada stress, cada crise de choro!!

Beijos

Thais Coelho 03 novembro, 2011 13:34  

Me emocionei bastante com sua história, parecia que estava no casamento com vc :D
Obrigada por passar pelo blog! bjkas

www.caseaqualquercusto.com

.Mi 03 novembro, 2011 14:55  

"e na verdade, acho que me caso com o Ed todos os dias"

foi a frase mais linda que eu já li nesses blogs de casamento.

Ainda nem sou noiva. Meu namorado e eu temos planos de casar daqui um bom tempo.
Me emocionei demais com o sua historia. Lindo!

Larissa 03 novembro, 2011 17:32  

Que lindo seu relato!!! Muito bom ver que apesar de todos os perrengues deu tudo certo.
Inspiração.
Bjo

Vanessa Mendes 03 novembro, 2011 22:32  

obrigada pelas palavras de carinho meninas! Passei quase três horas escrevendo, mas foi muito bom contar minha história para voces que sempre estão aqui comigo, compartilhando as suas.
grande bjo

Keilla Colombo 13 novembro, 2011 23:23  

Sua história de casamento é linda e engraçada, as vezes quando parecia que tudo ia dar errado, dava certo, como por exemplo: ele esqueceu as chaves de casa quando vcs foram tirar as fotos, ainda bem, pois imaginem vc entrarem na casa e ficarem preocupados com o cano que estourou? rsrsrs

Deus pensou em tudo, e graças e ele foi maravilhoso...

Só senti falta de fotos...

Bjosss

Larissa Banister 16 dezembro, 2011 13:06  

Oi! Acabei de achar seu blog e li toda a sua historia de casamento, chorei! kkkkk Chorei pq casei recentemente e me identifiquei em varias das etapas que vc passou. Um beijo enorme e toda felicidade do mundo para vc =*

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