Quando se tem um
blog, pode ser difícil encontrar a linha tênue entre a exposição e a privacidade. Inevitavelmente, acabamos compartilhando
muito sobre nossa vida, nossos relacionamentos, nossa intimidade. E claro, isto deixa tudo mais gostoso, pois a
gente sente como se conhecesse o escritor, como uma amiga que confidencia as
preocupações do casamento, os infortúnios
com fornecedores, as brigas por conta da lista de convidados, a surpresa
que noivo preparou, a expectativa com a lua de mel. São emoções compartilhadas,
mutuamente vividas por quem a cada dia, entre um clique e outro, passa no seu
blog para te visitar. Aos poucos, nossa identidade se revela, e para leitores
mais assíduos, você realmente fica exposta.
Eu nunca escrevi um
post completo sobre o meu casamento. Não sei ao certo o porque, mas sei que não
foi apenas pelo receio da exposição demasiada. Talvez pela falta de tempo, a
vida nova de casada onde tudo ainda precisava se encaixar. Mas hoje, inspirada
por um texto da Junia,
eu resolvi contar como foi o meu casamento. Todas as lembranças daquele dia estão
nítidas e hoje quero compartilhá-las. O texto não segue uma ordem cronológica dos
acontecimentos, mas relata, aos poucos, como tudo aconteceu.
Primeiro, uma
confissão: eu não fui noiva. Não tivemos festa de noivado, anel na mão direita
ou qualquer outra formalidade. Alianças mesmo compramos poucos meses antes do
casamento com a Lígia da Relojoaria Nacional.
Percebi que iria me casar depois
que ele me propôs comprar uma casa. Tínhamos acabado de reatar nosso namoro de
quase oito anos, após meses separados, e eu fiquei surpresa, e com medo da
situação. Ao assinar toda a papelada da compra da casa foi quando senti
borboletas no estômago, o peso da responsabilidade sobre as minhas costas, o
sentimento real de algo muito grande estava para acontecer, e que não tinha
mais volta.
Eu decidi me casar
contrariando a opinião de muitas pessoas. Você é nova, ele também, ele ainda esta
estagiando, você no inicio de carreira, não seria melhor esperar mais alguns
anos? Por que a pressa, você não esta grávida, esta?
Mas eu não estava
tomando esta decisão com base na pura razão, ela foi tomada com o coração. Não
fui incentivada por um sentimento explosivo, paixão avassaladora de livros e
novelas. Nosso amor já era sólido,
consistente, real. Já havia sofrido com a separação que confirmava que eu não
podia mais viver longe dele, e acho que ele também se sentia assim. Com aprovação ou não, senti que era a hora certa.
No inicio, fizemos as
contas, e eu tinha certeza absoluta que eu teria que vender meu carro para pagar a festa do casamento. Queríamos
uma casa, e também queríamos festa de casamento. Não dá para se ter tudo, mas eu
não conseguia me imaginar sem um casamento na igreja, com a família e amigos, e
ainda sonhava com todos reunidos numa festa. E eu ainda queria uma coisa a
mais: me casar completamente sem dívidas. Tenho pavor a cartão de crédito, cheques
ou a qualquer modalidade de parcelamento, e me orgulho muito em dizer que isto
eu consegui. Não tive tudo o que eu queria, mas esta meta, conseguimos
alcançar.
Comecei os
preparativos logo depois de entregar meu trabalho na faculdade, decidi que não misturaria
as coisas pois precisava de foco para me formar, encerrar este ciclo para
então, iniciar outro. E assim, comecei a
organização do meu casamento faltando 11 meses para a data pretendida, e foi
então que descobri que este tempo era muito pouco para tantas tarefas e para
muitos gastos. Fui muito organizada, criei planilhas de controle, checklist e mapa
do salão para organização de tudo, e isto fez com o tempo todo eu tivesse total
controle dos gastos.
O primeiro item que
fechei foi a banda. Conversei com um amigo e contei que iria me casar, e que
gostaria muito que ele tocasse na minha festa, eu imaginava algo como voz e
violão apenas, mas o Leandro reservava muito mais para mim. Em seguida fechamos o Buffet. Eu que
tinha acabado de ir em uma festa onde experimentei um Buffet bom e barato, não
tive duvidas e fechei um cardápio simples da Vida Buffet. Na época, fechei o contrato pagando
apenas 19,90 por pessoa, hoje, nem pizza
você consegue comprar por este valor, e a minha decisão rápida foi incentivada
pela mudança da tabela de preços (jogada de fornecedor ou não, me convenceu) e
pelo argumento dele de que se eu quisesse acrescentar algo ao longo dos meses,
ele só cobraria a diferença.
Eu poderia ter
pesquisado muito mais, ido a inúmeras degustações, mas confesso que eu não
tinha tempo e muita paciência para isso. O tempo
era curto e o dinheiro, contado aos centavos, e como estava segura com a decisão,
principalmente por saber que o decorador seria o Aldo Silvestre, encerrei este
assunto e não fiquei procurando outras opções que pudessem me fazer querer
mudar de ideia.
No inicio do ano, comprei
uma agenda para anotar todos os compromissos e planejamento do casamento.
Guardo-a com carinho até hoje, e tenho todos os contatos anotados, que já
serviram como indicação para inúmeras pessoas. Foi com o auxílio dela que consegui organizar
minhas idéias, as tarefas do casamento, agendar dentista, check up total, exames pré-nupciais e qualquer
outro compromisso daquele ano. E na verdade, revendo as minhas anotações (estou
com ela agora enquanto escrevo este texto), percebi que em alguns dias, ela também
foi um diário, onde eu descrevia meus sentimentos, preocupações e expectativa
enquanto estava sentada em alguma sala de espera.
Iniciado o ano, também
liguei para a fotógrafa Rafaela Azevedo, cujo trabalho eu
acompanhava desde o comecinho e para minha tristeza, ela já tinha a sua agenda
para o fim do ano lotada, e eu nem fazia ideia de que o mercado de casamento
pudesse ser assim. E então fiz orçamento com alguns fotógrafos como Fernando Buzetti, Fernando Coutinho, e por indicação, preço e qualidade,
eu fechei fotografia e vídeo como Studio 3. Fui muito bem atendida pelo Sidney e sua equipe, mas se
tem uma coisa que eu me arrependo até o ultimo fio de cabelo, foi de ter
fechado a gravação do vídeo junto com a fotografia. Quanto ao vídeo, não foi o
que eu esperava, a gravação ficou cheia de ruídos, o som de má qualidade e com
aquela produção antiga, onde a abertura do vídeo começa com “From this moment”.
Eu quase tive um treco quando vi o resultado, e para piorar, a divisão de vídeo
da Studio 3 se separou e tornou-se uma outra empresa, onde eu não conhecia
ninguém, onde eu não me sentia a vontade para argumentar, enfim, não era o que
eu esperava. Como consequência, perdi totalmente a vontade de revisar e de
editar o vídeo, e até hoje ele não esta finalizado. Temos as gravações originais, mas nada que tenhamos
orgulho de mostrar.
Nesta altura, a casa,
que ainda estava na planta, estava começando a ser erguida, mas já estávamos
gastando com documentações da Caixa Econômica, parcelas da casa e materiais. Eu
sinceramente não faço ideia de onde tirarmos tanto dinheiro, pois comprar uma
casa, móveis e ainda casar requeria muito mais do que as nossas pequenas
economias podiam suportar. Acho que esta foi uma das partes mais estressantes
da organização do casamento, porque mesmo sendo entregue praticamente pronta, a
casa precisava de acabamentos, pintura, piso, madeiras, e isto consome um
dinheiro absurdo. Além disto, tinha medo da casa não ficar pronta antes do
casamento, e eu ainda pretendia fazer o dia da noiva dentro da nova casa, com a
pretensão de ter o nosso lar como cenário do meu dia de noiva. Mas cada mês que
se passava eu ficava mais nervosa ao perceber que isto não seria possível,
apesar do noivo (vamos chama-lo assim) prometer que sim. A casa (e a lista de
convidados) foram os preparativos que mais me fizeram chorar.
Bem, eu já tinha
músicos, buffet e fotografia, precisava de um lugar. Comecei a pesquisar as
casas de eventos da região assim como as igrejas. Os dois lugares precisariam
ser próximos para facilitar a vida dos convidados, visitei inúmeros lugares até
que me encantei com uma igrejinha na comunidade onde meu noivo morava. A igreja
São José era pequena, simples, porém bonita, o lugar perfeito para mim, que
tinha pavor de me casar em uma igreja enorme. A decoração foi simples, com
rosas e gérberas brancas e cor de rosa, e com eras enfeitando entre um banco e
outro. Contratei uma florista da cidade, de bairro mesmo sabe, e isto me
garantiu preço de custo praticamente. Ela também fez o meu buquê e o das
damas, que ficaram lindos.
Aliás, eu mesma fui
atrás para criar os vestidos das damas, que eram apenas duas, minha irmã mais
nova e sua amiga. Ela não gostou muito da ideia quando fiz o convite, mas
quando mostrei o que eu estava pensando, ela se animou e resolveu participar.
As duas entrariam antes de mim como floristas, cada uma com um buquê pequeno e
vestido iguais verde-claro. Conseguimos fazer um vestido de cetim lindo, que elas
adoraram. E eu fiquei super feliz em vê-las no altar.
Os músicos, eu fechei
um mês antes do casamento, quando percebi que tinha me esquecido deste item.
Por indicação, fui em um bairro de Campinas que eu nunca estivera antes,
encontrar a Adriana, para uma audição. Ela tocou diversas musicas e confesso
que quando ela estava na quarta, eu já não me lembrava da primeira. Mas ela foi
muito atenciosa, percebeu que eu não conhecia nada, e me passou o nome de todas
as musicas para eu pesquisar na internet e escolher as preferidas e informá-la
sobre a sequência que eu desejava. Pela atenção e disponibilidade dela, fechei
ali mesmo, na hora. E ela ainda me surpreendeu atendendo o único pedido do
noivo, que queria entrar na igreja ao som de Metallica (eu nem sabia se era
possível) e no dia ela me disse que não tinha a música em seu repertório. Pois
na semana do casamento, ela me liga para dizer que conseguiu produzir uma
versão e então, ela seria tocada na entrada do noivo, como ele queria. Eu devia
ter contado a ele, pois depois ele me disse que a adrenalina era tanta que ele
nem percebeu que musica estava tocando, só foi notar que era algo parecido no
final, quando ele já tinha chegado ao altar. (Se fizer algo especial, contem meninas, na hora a emoção é tanta que ninguém percebe se você não comentar).
Escolhida a igreja
percebi que a melhor alternativa seria solicitar a empresa que eu trabalhava, a
licença para utilizar um dos seus salões (na verdade quiosque) para a festa do
casamento. No inicio, isto não era uma
opção, pois eu não queria misturar as coisas, mas depois que vi os preços de
aluguel de um salão (valor mínimo de 5 mil a locação), esta era a nossa melhor
opção, já que para funcionários, o empréstimo era de graça. E por conta da
disponibilidade do espaço, nosso casamento que seria em Outubro, foi marcado
para Novembro. Mas tirando este detalhe que não nos atrapalhou, foi sem duvida,
uma das melhores decisões que tomamos. O lugar era lindo, bem estruturado, com
palco, mesas e cadeiras disponíveis para nosso uso, grama bem cuidada, área de
estacionamento imensa e com segurança, playground, ou seja, ótimo.
Como as mesas eram
tampões de madeira, mas as cadeiras de plástico, alugamos cadeiras de ferro
brancas, alugamos ainda duas tendas para aumentar o espaço e nos proteger da
temida chuva de verão. No fim não caiu uma gota, mas aposto que se não
tivéssemos nos preparado, choveria. Também verificamos instalações elétricas para
garantir que suportaria os diversos aparelhos ligados, dedetização, e levamos
todos os fornecedores para conhecer o espaço, e garantir que seria possível
realizar tudo, sem surpresas.
Aproveitei que
estávamos em um ambiente gramado, e que nosso casamento seria de dia, para
escolher uma decoração rústica, campestre. Eu adoro natureza, e acho que não
poderia ser diferente. Mesa do bolo de madeira, mini margaridas e muito verde,
assim foi a base da decoração. Detalhes como tochas com citrolena, arco de
flores e estante com os bem-casados na entrada vieram depois, e foi maravilhoso
perceber que o que eu imaginei, o Aldo e sua equipe fizeram mais, e melhor.
Entramos no salão-quiosque debaixo de uma imensa chuva de arroz organizada
pelos padrinhos, ao som animado da banda que escolheu tocar Pretty Woman (isso mesmo, deixamos nosso
amigo Leandro escolher), e só me lembro de não acreditar em como tudo estava
lindo, perfeito.
Em cada mesa deixamos nossos Post-its personalizados, que foram as
lembrancinhas, e ainda, para os padrinhos, eu fiz um kit de sabonetes da Natura
envolvidos em um tule com laço de fita de cetim verde-claro, que indevidamente,
foram parar nos banheiros, e eu só ouvi alguém dizer: Nossa, como eles são
chiques, tem sabonetes da Natura como brinde nos banheiros... Não, não era
brindes, eram singelos presentes para todos os padrinhos! Mas fazer o que, eu
não podia (e não devia) me estressar com isto, no meio da festa. Deixei para lá e fui dançar...
Aliás, por este e
outros pequenos detalhes que eu recomendo que contratem uma assessoria de
casamento. Sei que muitas vezes temos sensação de poder organizar tudo, afinal,
são tantos blogs, sites e dicas que certamente, o serviço de assessoria pode
ser dispensado para quem precisa contar moedinhas. Ledo engano. Eu não
contratei e não recomendo que façam isso, pois no decorrer do casamento, podem ocorrer
acontecimentos que poderiam ser evitados, ou ainda, resolvidos por alguém que
sabe exatamente o que fazer em cada situação. Na igreja, eu fiquei do lado
errado no altar, e não teve uma santa criatura para me dizer isto. Também tive
que cuidar da lista de presença, da confirmação dos convidados, e foi só dor de
cabeça.
Convites, topos de bolo de biscuit e tags eu fechei com a Lobato Convites que me atendeu plenamente pela
qualidade e preço justo. Bem-casados e docinhos eu fechei com a mãe de uma
colega de trabalho, a Fátima Ramos, pagando
preço ótimo também.
Dentre tantas coisas
que planejei, uma delas foi realmente feita por mim: o meu vestido de noiva.
Nossa família é uma família de bordadeiras, e eu já estava cansada de ver
tantos vestidos de noiva. Acreditem, depois de anos trabalhando com eles, você
perde o encantamento. Então, eu já sabia o que gostava e o que não gostava, já
tinha provado muitos modelos para minha mãe, e depois de ver uma referencia em
uma revista, tive a inspiração
que faltava e fechamos a produção do vestido como primeira locação com a dona
Alzira da EdClair Noivas
em Valinhos. E ele veio para nossas mãos para ser bordado, com os desenhos que
eu e minha mãe criamos. Escolhemos as
pedrarias, iniciamos o trabalho, mas tenho que confessar que tem fez
praticamente tudo foi a minha mãe, quase não tive tempo de bordá-lo. Mas era
incrível ter o meu vestido em casa, acompanhar a sua produção, vê-lo nascer das
mãos da minha mãe.
Sapato e acessórios
foram escolhidos a dedo, muito próximo ao casamento. Me casei com um lindo par
de brincos com pérolas e uma pulseira discreta. No cabelo, flores que eu mandei
fazer, numa época em que ninguém as usava, logo, eu não encontrava de jeito
nenhum. Uma costureira topou fazer para mim, e não saiu como eu imaginava, mas
era isso, ou arranjos de metais, e eu não queria algo assim, queria flores de
tecido.
Já a maquiagem, foi um dos dramas do
casamento. E tudo começou quando ao visitar diversos salões de Campinas e
região, percebi que o tão esperado Dia da Noiva tinha se tornado uma linha de
produção. Noivas em filas para ser atendidas em uma sequencia de linha produtiva:
banho, cabelo, maquiagem, vestir-se, fim.
Não gostei nada
daquilo, não gostei do barulho, de várias pessoas circulando, madrinhas,
noivas, crianças, entre e sai de pessoas, horários cronometrados, preços altos,
ou seja, decididamente, não era assim que eu queria me preparar. Então, eu
resolvi me arrumar na minha casa nova, junto com mais duas ou três pessoas que
me fariam companhia. Então, na
quarta-feira da semana do casamento, a pessoa que iria me arrumar me liga
chorando, dizendo que algo tinha acontecido. Percebendo a gravidade do assunto,
fui até a casa dela, e quando cheguei, percebi que ela não estava muito bem, e
ela me disse que teria que ser operada no dia seguinte de um problema no útero.
Ela chorava e tentava me explicar que já havia pedido para uma amiga substituí-la,
mas naquele momento, vendo a situação, eu só conseguia dizer que tudo ia ficar
bem, que eu daria um jeito. Nos despedimos e quando entrei no carro, desabei.
Chorei, chorei de desespero. Onde eu iria arrumar alguém para produzir uma
noiva a dois dias do casamento? Foi ai
que entraram as amigas (obrigada Mari). Liguei para várias delas, contando a
situação e prontamente, cada uma contou minha história para a sua cabeleireira,
e na quinta, eu já tinha duas ou três opções. Escolhi uma profissional de Valinhos chamada Silvana Peró, e novamente, fiz a escolha certa, desta vez,
por sorte. Eu não a conhecia, ela não sabia o que eu tinha planejado, ela
precisava de minha resposta imediata para desmarcar todos os compromissos do
sábado para me atender, e eu, precisava de alguém que pudesse me atender, e
assim, eu fechei meu dia da noiva, que de especial teve o fato de eu ter alguém
para me arrumar. Quando a coisa aperta mesmo, você fica satisfeita com pouca
coisa, e só da pessoa cancelar tudo o que tinha programado para me atender, já
me deixou satisfeita. Feliz mesmo foi quando me olhei no espelho e vi que ela
tinha feito uma maquiagem linda, que meu cabelo estava do jeitinho que eu
queria, e eu só tinha a agradecer por isso.
Um casal de amigos
foi me buscar em Valinhos e me trazer para a igreja. Eu fiquei pronta antes do
horário e fiquei sentadinha esperando eles chegarem, e neste momento, eu fiquei
só. Por poucos minutos, mas completamente sozinha. Nesta hora senti falta da
família, das amigas...queria alguém para dizer: Vai dar tudo certo. Ali,
sentada a espera dos meus amigos, foi quando as minhas mãos começaram a suar e
eu sentia meu coração bater acelerado. Comecei a sentir um medo de tudo: de me
atrasar, de chover, do noivo não estar no altar (hein?), a cabeça girava a mil
e então, alguém me tirou daquela onda de pensamentos assustadores dizendo: -
Seu carro chegou!
Minha amiga querida (obrigada
Li) já tinha deixado o ar condicionado ligado e entrei em um ambiente
geladinho, indispensável para uma noiva que se casa as 17h00 quando na verdade
é 16h00 devido ao horário de verão. Ao passar pelas ruas, via crianças na rua
acenando e gritando: - Olha a noiva! Que linda! Achei engraçado e acenava de volta.
Na rodovia (é
pessoal, Valinhos fica longe de onde me casei) a mesma coisa. Pessoas distraídas
olhavam para o lado e viam uma noiva, e logo começavam a acenar. Realmente, noiva
tem o poder de encantar as pessoas.
Cheguei pontualmente
na porta da igreja, e me pediram calma pois havia um detalhe. Pensei: - O noivo
não chegou! Não, na verdade, o Padre não havia chegado. De fato, ele nem sabia
do casamento! Como pode isto gente? Mas aconteceu...Sorte a minha pois foram
buscar um Padre que eu estimava muito, alegre, carinhoso, jovem, e que mesmo de
improviso, realizou a nossa cerimônia de um modo muito especial, com muito amor.
Lembro de algumas palavras dele até hoje com muito carinho.
Entrei na igreja de
braços dados com meu pai e minha mãe. Achava que não podia ser diferente. E foi
maravilhoso entrar com eles, e ver minhas irmãs, amigos, e o noivo no altar. Nos casamos, e saímos de lá felizes por sairmos
juntos, com a benção que queríamos, prontos para festejar. Antes, passamos aqui
na nossa casinha nova para tirar algumas fotos. Nosso ensaio seria dentro da
nossa casa vazia, para registrar o começo de tudo. Mas o marido (aqui já foi
promovido a marido) esqueceu as chaves e ficamos só na frente de casa mesmo
tirando algumas fotografias enquanto as pessoas se dirigiam para a festa, que foi inesquecível.
Quando dei por mim,
já estávamos no final da festa, com convidados indo embora, se despedindo e
agradecendo por tudo, e eu insistindo para ficarem mais, pois na verdade, não
queria que aquela noite acabasse. Casar é maravilhoso, mas, por que acaba tão
rápido?
Ao final de tudo, fomos
direto para nossa casa nova, e chegando aqui, eu morrendo de sede, fui até a
cozinha pegar um copo com água e pergunto: - Por que a nossa cozinha esta alagada? O marido vem
correndo e percebe que um cano da pia não suportou a pressão da caixa d’agua e se
rompeu inundando a cozinha. Vestida de noiva, eu sentei no chão (ainda não
tínhamos cadeira) e fiquei esperando o marido consertar e secar tudo. E estávamos
tão felizes que eu nem vi o tempo passar, ficamos horas conversando sobre o
casamento, a festa, os convidados, quem foi e quem não foi, os acontecimentos,
micos e surpresas da noite. Não tivemos
lua de mel oficial, compramos armários ao invés disto. Eu deveria ter me
apertado mais, pois senti falta de ir para algum lugar diferente depois de
tanta correria. Mas de ultima hora, e
com incentivo da tradicional ‘gravata’ decidimos ir para a praia. Chegamos lá e
estava chovendo, não havia onde ficar, mas tudo bem, a gente estava feliz. Meses depois fomos para a Bahia.
E hoje, faz três anos
que me casei, e na verdade, acho que me caso com o Ed todos os dias. Nosso
casamento é amor mas também é amizade, superação, compromisso, é dedicação e paciência também.
Nosso casamento existe porque, apesar de não ser fácil, tudo fica melhor quando
estamos juntos.
Hoje, depois de ver e
de participar de muitos casamentos, percebo que o meu foi relativamente simples,
modesto. Nunca seria escolhido como o ‘Casamento do Ano’ ou seria popular a
ponto de ser mostrado nos mais famosos sites e blogs de casamento.
Mas foi o melhor e
mais lindo casamento que já presenciei, porque ele foi real, porque ele foi o MEU.
Todo casamento tem sua
história, e esta foi a minha. Espero que ela possa te inspirar a viver, incondicionalmente,
a sua ♥
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